21/10/2006

Obrigada!

Pai
A mochila, a cada dia que passa, fica mais pesada.
Já se dobram as costas e as pernas querem desistir de caminhar.
Sobe a angústia de ver sofrer e não ser capaz de ter palavras de conforto.

Pai,
Tu sabes que a torrente de água engrossa quando estou sozinha ou quando me abro a Ti.
Tento ser forte, rir e sorrir, mas até a disponibilidade do sorriso começa a enfraquecer...
Como pesa a mochila!...
Como pesa a angústia!...
E, de repente, tudo chega em catadupa: a Cláudia tem dificuldade em engolir, o Miguel desespera por não poder escolher, a Soraia esconde-se, a cada dia que passa, na couraça que construiu e a F. já não tem remédio, meses, sei lá, tem a vida a prazo!

Pai,
O ribeiro encheu e transformou-se numa torrente que arrasta tudo na fúria de chegar até ao mar.
Seria tão bom parar, entrar no deserto e voltar a fazer a experiência de Ti, de saborear a serenidade do Teu abraço e escutar as Tuas palavras de amor, de vida e perdão.
Ouvir-Te sussurrar ao ouvido cantos de embalar, como aqueles que eu cantava ao meu filho, e poder pousar a cabeça e adormecer no Teu colo suave feito luz e alegria.

Pai,
Chegou a hora de esvaziar a mochila!
Rejeitar o que não presta, o que está a mais, porque é supérfluo e abraçar-Te no meu irmão que está doente e precisa do meu carinho e da minha atenção.

Pai,
Permite que chore agora tudo, para sorrir, depois, para o outro.
As lágrimas ajudam a limpar o coração para de novo acolher e servir quem de mim precisa.
As lágrimas são a torrente que vai desaguar no rio do Teu amor e é nas Tuas margens que busco o sossego para a tormenta, a paz para a intranquilidade, o sono reparador.

Pai,
Disseste Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova.
Como é isso possível se ainda não me despi de mim mesma: vaidades, egoísmos, preconceitos,...
Para anunciar tenho que, a cada dia que passa, despojar-me mais e mais de tudo o que não presta e voltar a encher a mochila, mas desta vez, de muita fé, de vontade de distribuir todos os meus bens e aparecer-Te apenas eu, com disponibilidade para abraçar e dançar diante de Ti, tal como as gaivotas na alegria do acordar e partir para um novo dia.

Pai,
Ensina-me a liberdade das gaivotas.
Ensina-me a alegria do sorriso.
Ensina-me a ser eu.

Pai,
Obrigada!


7 comentários:

Eremita disse...

Mas tu és tu,singular e preciosa aos olhos do Pai.
Compreendo a tua dor em querer abraçar o mundo inteiro.Mas a nossa dimensão humana tem limites. O Pai não exige nada mais além do nosso alcance.Para ajudarmos os outros precisamos de encontrar equilíbrio e forças,senão tudo se desaba à nossa volta.
Demasiadas preocupações atrofiam e definhem a alma e o espírito.
Libertar tralha da "mochila" isso sim,todosos dias deveremos fazer uma limpeza tide...rsr
Força e ânimo,para sorrir frente à vida que tem tanta beleza.
Santo Domingo :):)

Manuel disse...

Devido à proposta de referendo, o aborto vai ser tema de debate nos próximos tempos.
Decidi asociar-me a esse debate com a criaçäo de um novo blogue monotemático: razoesdonao.blogspot.com

Convido à participaçäo e à divulgaçäo.

Abraço

Andante disse...

Conta comigo.
Vou já tomar nota e publicitá-lo.
A primeira medida é linká-lo.

Todos somos poucos pelo "direito à vida".

Beijos peregrinos

zezezinho disse...

Minha amiga, não deixes de caminhar, sabes bem que Ele não te abandona, se a tua mochila vai cada vez mais pesada Ele ajudar-te-á a carrega-la.Sorri minha amiga, sorri.
Beijos

Andante disse...

Obrigada Eremita pelas palavras de ânimo e de coragem.

E tu Zé, mais animado. Bem aparecido.

Beijos peregrinos.

Anónimo disse...

A minha mochila também começa a ficar muito pesada. É urgente tirar o que não presta!...
Beijo
Filó

Andante disse...

Eu ajudo Filó!

Vamos lá arregaçar as mangas, animar e ir à luta...

Beijos peregrinos