9 de Nov de 2009

Earth Song - Michael Jackson (legendado em português)

8 de Nov de 2009

Oração

Hoje, sem medo, olhei-te, olhos nos olhos, e fiz a minha oração.

6 de Nov de 2009

Parábola dos nossos dias


Jesus saiu por aí a passear e deixou-se encantar pela vida agitada e buliçosa que foi encontrando.
Também ele quis “dirigir” o seu carro. Não lhe interessava um carrão daqueles que dá nas vistas e atrai o olhar dos invejosos e obcecados pelo ter que confere “poder”. Não, o objectivo dele era passear-se pelo meio da multidão e passar despercebido.
Quis um carro de “serviço”, utilitário e económico. Um carro que “passasse pelo meio da chuva” e não fizesse grandes ondas.
Ao entrar no seu “carro”, o da vida, sentiu, tal como no seu tempo, a angústia pelo medo incontrolável que obriga a uma existência atormentada.
E também tomou o pulso à sociedade que o acolheu, que lhe deu o ser e o deixou abraçar a existência.
E tornou-se pequenino entre os pequeninos, isto é, entre os mais humildes e os mais desprotegidos.
E sentiu dificuldades.
E viveu angústias.
E sentiu a rejeição social.
E aprendeu na escola da vida.
Contudo, mais uma vez, não veio para criar riqueza nem para colocar na “lama” os poderosos. Esses enterram-se a si mesmos sem necessitarem da ajuda de ninguém. Esses continuam com falta de tempo para dar atenção a quem quer que seja, pois estão do “alto da burra” a controlar tudo e todos. Continuam a encher os bolsos, trepando por caminhos ínvios e esconsos visto que estão permanentemente insatisfeitos, não olhando a meios para atingir os sues próprios fins.
Jesus colocou-se no meio de nós bem ao seu jeito. Veio provocar, não a revolução política ou social, a revolução interior. Não veio em busca de glória ou poder. Veio, para mais uma vez, provocar a reconciliação das pessoas consigo próprias, de modo a saírem de um estado depressivo que estigmatiza e amarfanha, tornando a mente tacanha e mesquinha.
Desta vez ele não curou ou deu vista.
Desta vez ele convidou, novamente, para o banquete.
Só vieram os que têm tempo…

30 de Out de 2009

Jesus, Filho de David

Voltando à “orgia dos sentidos”, quero falar do cego Bartimeu.
De olhos vendados, apenas gritava “Jesus, Filho de David…”. Pedia-lhe o sentido da visão.
“Jesus, Filho de David…”. Destapa-me os olhos e ensina-me a ver.
E todos o queriam em silêncio para não perturbar.
Todos o queriam em silêncio para não os obrigar a ver a sua própria cegueira, para não verem os seus temores e insuficiências. O que os perturbava era sentirem-se desnudados perante a verdade que embrutece.
“Jesus, Filho de David…”
E vai-se repetindo numa litania que paulatinamente se transforma em música. Música daquela que bate nos ouvidos e destapa os olhos.
Olhos fechados a uma realidade sempre nova.
Mas… que visão é esta?
Donde vem a cegueira?
E chamas-nos.
Vá, vem cá.
Vem e não tornes a pecar!
Então, a cegueira era outra!
Era a cegueira do coração, da negação, do pecado.
Vem e não tornes a pecar.
E pude dar o salto impossível.
E atirei o manto.
E passeia seguir-Te como exemplo de vida e para a vida.

28 de Out de 2009

Orgia dos sentidos



O sopro que dá a vida é o sopro leve e delicado que brota e actua serenamente, deixando a sua marca indelével de amor e esperança.
O sopro que percorre todo o ser e transforma o individuo, não lhe permitindo que se mantenha o mesmo.
E assim nasce o Homem Novo!
O Homem que se deixa despir de medos e angústias e que passa a ser.
O Homem Novo!
Deixa-se transformar a partir do mais íntimo de si próprio, irradiando de alegria e entregando-se a um amor que sacia e alimenta, enfim, que vivifica.
E o Homem Novo toma o lugar do Homem Velho que se deixa amarrar pela falta de vontade e pelo pouco desejo de se manter aberto e atento a tudo o que o rodeia.
O Homem Velho que vive em si e para si, de forma egoísta e egocêntrica, moldando todas as suas vivências a uma vontade intrínseca de afirmar a sua própria negação e mediocridade. E, o pior de tudo, não consegue perceber que já está derrotado e amarfanhado pelos seus temores, aterrorizando tudo e todos os que estão à sua volta.
E a luta é desigual!
O Homem Velho continua com uma força brutal, obrigando-me a fechar os olhos, toldando-os e criando-lhes barreiras, quantas vezes difíceis de ultrapassar.
Contudo, deixo-me inebriar pelos sentidos e permito que me tomem numa orgia avassaladora de cheiros, cores, sabores e luminosidade.
Chamei-lhe a orgia dos sentidos.
Ao entrar no supermercado do El Corte Inglés, voltei-me para a direita e… puf!
Senti uma mistura saborosa que me entrou pelas narinas e me “obrigou” a tocar, mexer e saborear a intensidade da mistura de cheiros: a pão, a fruta madura, a legumes, enfim, a tudo o que a visão podia alcançar, obrigando-me a parar alguns segundos. Deixei-me acolher e acolhi todo um sem número de sensações que me transportaram para o Homem Novo.
O Homem Novo que olha e vê, que sente e cheira, que ouve e que saboreia.
E pensei:
Também no supermercado posso sentir o sopro que ajuda a renascer e a aprender a saborear o lado bom da vida.

24 de Out de 2009

Pobre Zé

Com que então, Zé foste meter-te por caminhos que não dominas?
Alguma vez pensaste em fazer perguntas?
Sabes, Zé, até para tocar “rabecão” é preciso treinar e aprender a ler as linhas apagadas.
Manual de maus costumes…
Vê-se mesmo que não entendes nada.
O tal deus da guerra apenas existe na cabeça daqueles que não sabem nem querem saber.
A Bíblia não é um livro, é uma biblioteca.
Fala de acordos e de ternura.
Começou a ser escrita cerca de 1 000 anos antes da nossa era que é a Era Cristã. Porquê?
Deves sabê-lo muito bem.
Há homens que deixam a sua marca, que não se consegue apagar com o decorrer dos milénios. Já estamos no terceiro. Houve tentativas. Muitas. Mas há mais coisas bonitas.
Se durante muito tempo imperou o temor obstinado (e é esse temor que tu conheces) que condenou à fogueira e à excomunhão, agora vivemos um tempo, desde a década de sessenta do século XX, de reposição da verdade, onde o Amor tudo vence e a compreensão e caridade são grande referência.
Sabes, Zé, em vez de afirmares as tuas verdades, informa-te e fala daquilo que sabes. Não voltes a cair na tentação de fazer afirmações gratuitas que apenas geram conflito e confusão.
Tinhas um objectivo: vender.
Conseguiste.
Todos querem perceber até que ponto falaste destes assuntos onde não te deves sentir muito à vontade.
Sabes, Zé, trouxeste muita confusão àqueles que não têm hábitos de leitura ou que nunca se sentiram motivados para aprofundar o estudo da Bíblia, tendo-se ficado por uma catequese de quatro anos cujo objectivo era proporcionar mais uma jantarada e, quiçá, umas bebedeiras e, acabava ali.
Só se queria voltar a ouvir de padre ou igreja na altura do casamento e… mais uma festarola. A igreja dos jantares e do álcool em demasia que tolda e entorpece.
Olha, Zé, a Igreja que vivo e participo é um Corpo Vivo que cresce e se enriquece.
É uma Igreja que partilha o Deus do Amor e da Bondade, nunca um deus vingativo. Esse, Zé, é o teu deus. É o deus dos ignorantes. É o deus dos fala-baratos. É o deus dos que não têm deus.

23 de Out de 2009

Silêncio


Prostrei-me diante de ti despida de tudo o que me fizesse distrair.
Coloquei-me no silêncio mais profundo de mim para te ouvir sussurrar ao ouvido.
Fiz silêncio e ouvi.
Quando, no início da minha carreira e barulhentos, trabalhei no jardim infantil, desafiei muitas vezes os meninos a ouvir o silêncio. E repetia o exercício vezes sem conta. Tinha por objectivo “escutar o silêncio”, isto é, ouvir o que não é possível escutar quando estamos agitados quando temos o “espírito” ocupado do supérfluo e acessório, esquecendo-nos daquilo que nos rodeia e que existe, nós é que não estamos disponíveis para ver, ouvir e sentir.
E escutei o silêncio.
E falaste-me:
• No pipilar esvoaçante dos passaritos que alegres conversam entre si a organizar as suas rotinas em busca de alimento para saciarem os seus papos pequeninos e das gotinhas de água para lhes mitigarem a sede.
Os passaritos agradecem a vida sem reservas e descansam no calor do ninho onde recolhem ao anoitecer. E é ouvi-los “conversar” e contar as peripécias de um “longo” dia esvoaçante e de observação dos humanos que nunca têm tempo e não param para se ouvirem, quanto mais para ouvirem-se a si próprios.
• No som do vento que ora tormentoso, ora brisa suave, ajuda a folhagem das árvores a conversarem entre si e a cantar o canto suave do roçar das folhas. Algumas, já cansadas de se agitarem durante um longo período de seca, desistem e deixam-se cair, atapetando o espaço em volta e adquirindo as belas e quentes cores do Outono. Cores fortes e maduras do Outono da vida que tem que ser vivido intensamente, embora com algumas precauções e atenções. Começam os achaques!
• Nas portas que se abrem, chiando muitas vezes nos gonzos, e deixam entrever a beleza exterior que nem sempre inebria, nem envolve quem se fecha em si mesmo e se deixa envolver por estados depressivos e pessimistas;
• Na chuva que alivia os calores intensos do Estio. Refresca e vai cumprindo o seu papel de alar a sede dos corpos e dos espíritos.
A água que é vida, é sabor, é alívio.
A água que faz “nascer” de novo.
A água do Baptismo que acolhe, de braços abertos e disponíveis, no teu Reino.
E pára o vento. Pára a chuva. Sente-se o cheiro agradável de terra molhada. As sensações deixam-se desencadear à flor da pele que serena e começa a sentir a paz descer e fluir, qual ribeiro alegre que parte à descoberta do que está mais além e nem sempre é o desconhecido.
Estou preparada para, então, contemplar o Teu rosto, a Tua voz, o Teu amor.
Estou preparada para sentir que estou viva porque nunca desistes de mim nem daquilo que eu sou e quero ser.
Agora sim. O silêncio instalou-se e eu estou disponível.

17 de Out de 2009

Deserto


Que grande deserto!
Que grande travessia!...
Está difícil gerir esta “solidão” e apagar a sede da jornada.
Mas… já começou.
Meti pés ao caminho e fui encontrar-te lá no princípio onde a brisa da tarde refresca e ajuda a saborear os prazeres que me concedeste.
E começo a beber!
Beber e saborear palavras de encanto e encantamento que paulatinamente vão retirando o peso que verga e obriga a olhar, apenas, para o chão.
E reaprendo o teu jeito.
O teu jeito da alegria e da vontade de re-viver e de re-nascer.
É um começar de novo.
Sabes, quase me fechei ao teu diálogo. Considerei-me inferior e subalterna.
Emergem as dores, as raivas e a revolta.
E volto a re-aprender a tua lógica que é tudo menos subalternidade, mas de pares.
Pares que se gostam, que se dão, que se entregam, mas não totalmente.
Estes pares que gostam de se mirar no espelho dos outros, qual Ícaro encantado com a sua própria imagem, e que, quase sempre, os mostra desfocados ou alterados.
A tua Lógica é a do coração, do Amor que se sacrifica e plenifica, pois aceita as consequências dos seus actos.
Tu criaste-os Homem e Mulher à tua semelhança para serem como tu.
Mas… esqueceram-se de Amar sem reservas e foram infiéis.
Esta quebra de fidelidade radica então na sua própria fuga:
- cerram os olhos, não vêem.
- fecham os ouvidos, não ouvem.
- colam os lábios, não falam.
E tornaram-se mais libertinos que livres.
Desaprenderam o diálogo.
Fecharam-se ao outro.
Tornaram-se egoístas.
Aí radica, então, a tua luta por nós. Nunca desistes.
Nós continuamos a desistir e a ignorar.
E tu continuas fiel a um compromisso tantas vezes rompido de forma unilateral e… não és tu que o rompes…

4 de Out de 2009

In memoriam



Mercedes Sdsa

21 de Set de 2009

Regresso

Passaram tantos dias e semanas de silêncio.
Silêncio que se deixou transformar em “vazio” de conteúdo. Houve, algumas vezes, uma recusa em aceitar as coisas como estavam a decorrer. Férias de quase abandono e solidão. Férias de perturbações e, por vezes, de pouca paz interior.
Foi aí que radicou o meu silêncio, falta de paz interior.
Li muito, meditei, parei e fui crescendo…
Depois… chegou Setembro e o regresso à escola.
Sucederam-se reuniões e noites mal dormidas, atravessadas por pesadelos impeditivos de um natural descanso.
Por fim… as aulas.
Horários sobrecarregados e até… algo insólitos.
Alunos simpáticos e interessados que se opõem a alunos displicentes, desinteressados e mal-educados. Já marquei uma falta disciplinar!
Mudanças, muitas mudanças.
Continuo a exercer a função de coordenadora de departamento e, só isso, me obriga a dar respostas que não tenho. Vivem-se momentos de grande ansiedade e muitas questões…

E o tempo continua a escorrer no seu lento caminhar, quantas vezes para chegar a nada!
Mas não! Recuso-me a continuar parada sem nada querer “fazer”, sem nada querer pensar, sem nada…
Começo de novo a “caminhar” e a redescobrir o sentido de tudo, o sentido da vida.
A Ana quis oficializar o seu amor e tornou-se celebrante do seu próprio matrimónio. Que bonita que ela é! Mas… o João também é um “doce”. Foi a pedra de toque para me “obrigar” a escrever. (Estou a tentar escrever este texto já lá vai quase uma semana).
Então, este é o tempo de começos e recomeços, de avanços e recuos, de fazer, desfazer e refazer.
E aconselhas-nos, pela boca de Tiago, a pedir bem. Pedir para receber sem impor a nossa própria vontade, sem pedir impossíveis.
E eu não estou a pedir?
Tu que és o Senhor da Vida, do Amor, do Perdão, da Alegria, o Senhor da Paz e do Bem. Tu que nos convidas a pedir, mas a pedir bem.
O que é pedir?
Como pedir?
Gostei da imagem que ouvi e que me vai servir para a reflexão.
Para nos alimentarmos temos que nos abastecer.
Onde?
No mercado onde há tudo e de tudo…
Para termos força para “sobreviver”, para viver a vida e sermos construtores devemos ir “abastecer-nos” à oração.
A oração que é a mola
A oração pessoal que deixa de ser o desfiar, apenas, das contas do rosário ou de pedinchice e que se transforma no diálogo amoroso do eu-Tu.
E assim a vida vai sendo vivida, porque alimentada e pronta a ser “saboreada” na alegria da paixão que arrebata e, por que não, tolda os sentidos.
Quero viver e voltar a viver neste arrebatamento e nesta alegria de ser e de sentir.