Hoje apetece-me rezar Jesus.
Jesus de Nazaré que foi perdendo a identidade e se tornou o Cristo da cristandade.
Jesus de Nazaré, o do Reino de Deus, promessa de vida plena pela Páscoa!
Jesus do primeiro anúncio que pela acção do Espírito se tornou Deus connosco.
Jesus que nos mostrou uma História e deu a conhecer um Projecto. Um Projecto de vida, de esperança e de confiança.
Jesus História da Liberdade e da Libertação pelo Amor que transmitiu e viveu.
Jesus coerente que se manteve firme até ao fim, embora tenha sentido ganas de desistir.
Jesus Homem-Deus sofredor.
Deus Homem-Jesus que aprendeu na carne a sentir fome, sede, cansaço, perigo e até a tentação do pecado.
Jesus Homem-Deus que foi seduzido pela riqueza e pelo poder e que soube dizer não.
A capacidade de saber dizer não e a luta contra o mal, contra o pecado.
A luta entre o ter e o ser, entre o bem e o mal, entre o pecado e a salvação.
É este Jesus Homem-Deus que eu quero rezar. Ele é o meu modelo e mostrou-me o seu Projecto. Ele ensinou-me a História da vida que é o amor. Ele pregou-me o Sermão da Montanha e indicou-me o caminho. Ele transformou-se em vida no momento da sua Páscoa e transmitiu-me o sentido novo da vida.
É a este Jesus História, Projecto, Amor, Caminho e Páscoa que eu quero rezar, sentir e seguir.
03/03/2011
20/11/2010
retiro 6

E ao terceiro dia…
Fez-se a festa do mergulho que ceifou a vida do Homem Velho.
O que emergiu das águas foi o Homem Novo, redimido pela força da brisa que pairava sobre as águas informes do princípio dos princípios.
E aconteceu a festa do Reino, onde todos juntos acolheram e acolhemos o novo ser vivente que se deixou transfigurar para dizer, pela força do sim e do sorriso, que estava disponível para abraçar o novo caminho que se abriu à sua frente.
Obrigada Márcia pelo teu sim e pelo sim, acredita que eu própria proclamei ao mesmo tempo que tu, que nos tornou corpo vivo que se transformou em dança poderosa que jamais deixa de se dançar pois passamos do caos ao cosmos, tornando-nos profetas da vida e da palavra e salmistas que convergem na alegria e na comunhão da cabeça, que é Jesus de Nazaré.
Jesus modelo.
Jesus palavra.
Jesus vida re-suscitada.
Jesus obra-prima do Criador!
E nesta luta, Jesus mostra-nos o caminho. O caminho do Espírito que permanece e que lhe vai fazendo justiça. Pois, quando um se abre ao caminho do Espírito está a abrir-se ao próprio Deus Criador que faz profetas, faz salmistas e faz o próprio Jesus.
18/11/2010
retiro 5

Jesus, o filho de Deus, em constante devir pelo Espírito de Deus.
E começou a actuar logo no início.
“No princípio era o Verbo…”
O Verbo que é Jesus em gestação desde o princípio dos tempos.
Jesus começou a ser gerado enquanto o Espírito vagueava sobre as águas de um mundo informe e inexistente. Um mundo que começava a ser sonhado e a crescer durante seis longos dias até à plenitude do sétimo dia. E só ao sexto dia, já tarde, apareceu a obra-prima: o Homem soprado para a vida pelo sopro do Espírito.
Jesus deixou-se abrir à sua acção generosa e foi-se construindo ao longo dos tempos.
Jesus, a obra maior da criação!
Jesus disponibilizou-se para se deixar invadir continuamente pelo Espírito.
Não, não é obra de um dia ou de um momento, mas obra de uma vida que se faz acontecer.
O Espírito que vai marcando o ritmo do ser, sempre que actua:
• no princípio
• no profeta
• no salmista
• em Jesus.
É o ritmo cadenciado da festa que está a acontecer e que plenificou no dia da Páscoa, quando pela vontade do Pai, foi revestido pelo Espírito e tornos à vida. Jesus, a obra mais importante do Pai que se revê nele e se sente nele.
Então, Deus disse-se por Jesus, gerado por toda uma eternidade q que, pelo Pai, chegou ao sétimo dia. O dia da festa, da glória, da vida.
Aí sim, tornou-se na obra-prima do Pai porque é a mais cuidada. A obra-prima de um Artífice que ousou sonhar e acolher cheio de ternura um povo que quase nunca soube ser porque não entendeu!
Jesus respirava Pai, vivia Pai, falava Pai.
Ele e o Pai tornaram-se um, animado pelo Espírito que vogava desde o início e não se cansa de transmitir a força ao profeta e a palavra ao salmista.
O Espírito que fez passar do caos à ordem e não se cansa de organizar e organizar-se perante o pecado.
O Profeta do exílio!
O Profeta do Reino!
O Profeta que não se cansa de procurar e de fazer Reino no meio da confusão dos dias que deixaram de escorrer e passaram a correr de forma avassaladora para um novo caos.
O pecado de se querer tornar igual a esta família e transformar-se em próprios deuses salvadores de uma nova geração.
E o Pai vai gerando profetas à semelhança de Jesus que ostentam nomes improváveis:
Gandhi
Martin Luther King
Dalai Lama,,, arautos de um evangelho manifestado por uma vida impoluta e transformadora de uma sociedade autista, fechada sobre si própria, sem ouvidos para a verdade.
Deus fazedor de profetas e salmistas.
Deus criado e re-criado em Jesus de Nazaré.
17/11/2010
retiro 4

O Espírito de Deus faz salmistas
O silêncio que vai crescendo e se vai transformando.
Deixa de ser um turbilhão, um nunca mais acabar de ruídos insidiosos que não param de atormentar.
O silêncio que se transforma e se deixa ouvir.
Deixou de ser ruído.
Passou a ser resposta.
Enquanto isso, o salmista deixa-se invadir por angústias e temores; inseguranças e desesperos; traições e devaneios. O indivíduo que se enche de palavras e não consegue sossegar. O homem que não vê e não quer ver e o silêncio que grita e não deixa ouvir.
E o salmista sou eu!
Eu que sou perseguida por fantasmas aviltantes perdendo quase sempre o chão e o norte. Sinto-me carregada com fardos de chumbo bem cinzento que não vislumbra qualquer parcela de branco lá bem no fundo do túnel. O silêncio que dói e faz doer. O silêncio dos ouvidos fechados e o coração endurecido. O silêncio que perturba e tolhe. E, à medida que escrevo, vou sentindo que qualquer coisa começa a mudar.
Deixo-me envolver pelo silêncio e paro!
Paro no sentido literal da palavra, não é figura de estilo ou retórica.
Deixei-me envolver pelo canto alegre dos pássaros que festejam os raios de sol que de tempos a tempos conseguem furar a cortina de nuvens e aquecer os seus ninhos desprotegidos. Como se irão sentir à medida que se vão aproximando os rigores outonais?
O canto dos pássaros ajudou-me a abrir o coração e a ouvir o sussurro do vento que lentamente e, tal como os raios de sol, me vão aquecendo interiormente fazendo despontar os sentidos e colocar-me a jeito de fazer oração.
Não me canso de escutar para conseguir perceber. A oração dos sentidos e com sentido.
A oração de louvor e acção de graças por aquilo que o silêncio foi capaz de me proporcionar: a alegria de saber que esperas ainda muito mais de mim.
Mas… eu dou tão pouco e estou sempre pronta a receber!
Não é isto a minha maior limitação?
Eu querp parar para perceber, para Te perceber.
Ver para conseguir louvar.
E, com tudo isto, deixar-me envolver pelo Espírito que vai deslizando e respirando. Pelo espírito que “agarra”, “amarra” e se transforma na oração mais deslizante e singela que é o poder louvar sem limites e sem barreiras.
16/11/2010
retiro 3

Possa!
Então o Espírito de Deus faz profetas?
Gosto disto
E teria repetido, entre montanhas, e gritado bem alto que o Espírito de Deus faz profetas e ouvir o eco a devolver-me, vezes sem conta, a mesma frase.
O Espírito de Deus faz profetas.
O indivíduo que ouve e faz sem medo, mesmo que seja mal compreendido.
Será que não tem medo?
Claro que tem, mas transporta em si a força do próprio Espírito que abre fronteiras e o ajuda a transbordar tudo o que tem que ser dito e ser feito.
Pois não é profeta quem quer, mas quem o Espírito bafeja.
E sussurra ao ouvido, qual sopro quente que agita e faz ferver o coração em sobressalto.
O soprado deixa-se conduzir, deixa de agir por si só, mas age por toda uma família que se enrola e se torna presença nele próprio.
O soprado, profeta, ganha uma couraça que o torna imune, porque se sente aconchegado e acompanhado.
Jamais ficará só
Ele e o espírito, de mãos dadas, vão-se dando a cada minuto que passa.
E o profeta vai deslizando e incomodando no meio da multidão.
E vai construindo um eu/Tu de cumplicidade que se transforma em comunhão e pertença.
E começa uma verdadeira história de amor que avança de peito aberto até onde deve ir.
E o profeta fala, fala, fala…
…fala palavras não ouvidas, abafadas pelo medo, palavras que são dom do Espírito Criador que paira e que pesa como chumbo no cabeça do ou dos visados. O arrojo do Espírito!
Tudo acontece quando o Pai deixa cair a mão e a pousa sobre a cabeça d@ visad@.
Então, quem são os eleitos?
Onde os procurar?
Pois! Esta mão foi-me dirigida de modo a que eu me deixe enredar pelas teias do Espírito. Diz-me que tenho que derrubar os muros interiores, abrir-me ao sussurro que acalenta e deixar-me invadir.
Só então acontece que eu me transformo em profeta e deixo-me levar. E começo a incomodar!
Incomodo e saio muitas vezes a perder. Não foi assim com os profetas de Deus que acabaram perseguidos ou assassinados como Jesus de Nazaré?
E vou morrendo nas águas do Jordão para emergir com novas forças, nova coragem, de modo a enfrentar o dia-a-dia da vida com vigor renascido e tentar desempenhar o meu papel ao teu jeito, deixando-me invadir pelo Espírito que renova, dá força, dá vida.
15/11/2010
retiro 2

No princípio…
E tudo acontece.
E tudo é gerado num crescendo que avança segundo o ritmo que se chama sucessão: dia/noite; vida/morte.
E tudo pára com a destruição/morte/caos.
E tudo recomeça, reorganiza-se no sentido de um tempo novo que emana a partir do caos – desespero, vida sem sentido que se vai consumindo e autodestruindo.
O homem fazedor de caos que se sente baralhado e se deixa ser fazedor de nada com sentido.
Então, onde está o caos?
No mais íntimo de nós próprios, no vir e devir do rancor gerador de morte em vez de se tornar vida.
Refazer-se é sentir-se co-autor desta mesma criação que nos foi dada de graça para a utilizarmos com respeito e amor.
E do vazio surge a ordem, a vida.
O vazio transforma-se, reaprende a gerar ordem e a viver a vida com sentido.
Criou-nos com sabedoria e com memória.
Memória para reaprender a saborear a vida de forma ritmada e a parar para escutar e sentir. Entender os compassos e perceber os silêncios que partem de uma nova dimensão do jogo. O jogo que nunca mais acaba, só que, agora, este jogo é jogado por nós.
Mais uma vez somos convidados a reaprender as regras e a usá-las sem fazer batota. Com a batota retorna o caos e é preciso começar de novo.
Há que não desanimar e re-começar sempre…
E o espírito de Deus pairava sobre as águas, sobre o caos, a preparar-se para actuar de novo.
E começa a respirar e a vibrar de forma diferente.
A forma da experiência já vivida que deixou de ser nada e passou pela bondade do perdão.
Então, o que é o caos?
Claro, é a ordem, a organização, a arrumação.
É a força que rompe as amarras que tolhem e não deixam ver com os olhos do coração, da seriedade, da sabedoria.
O cosmos, então, é a serenidade que abraça o ritmo da vida vivida ao jeito do Pai com o exemplo de Jesus.
É a música que não pára de crescer de forma orgasmica para criar novas vidas, novos sentimentos, novas forças!
O ritmo da natureza que se vai perdendo mas que se sente pelo pipilar das aves ao amanhecer, prontas para partir em busca de alimento, para partilhar ensinamentos e regras com as crias, para lhes transmitir o impulso que as ajudará a tornarem-se autónomas e auto-suficientes.
A vida ritmada pela cadência do espírito que respeita os tempos, os espaços, os silêncios que nos ensinam a letra da canção que se chama bondade e que se torna bela.
Então, tudo nos é dado de graça!
E nós?
Será que os queremos de graça?
Será que os respeitamos?
Será que os entendemos?
E inicia-se um novo diálogo!
A história do eu/tu em relação íntima.
E começa a dança!
A dança que nos ajuda a mergulhar no mais fundo de nós próprios e permite clarear o que existe de mais negro e boçal bem no nosso interior.
A dança dançada a dois, três,… marcada pelo compasso dialogado em que todos se ouvem e já não há cada um a falar para seu lado, de novo mergulhados no caos e no vazio.
E… pára, emerge, torna-se perfeito pois foi confiando, desimpacientando-se e vivendo ao jeito de Jesus num crescendo de vontade e fazer bem para ser feliz, porque calou até ao silêncio absoluto e aí ouviu a voz do “calor” e da vida.
14/11/2010
retiro 1

A liberdade de sentir-se livre
Tomei a liberdade de me libertar.
Então, pés ao caminho pois já tarda a libertação que conduz à felicidade…
Vem Espírito de Deus sobre mim…
Ajuda-me a perceber os caminhos não andados, os caminhos que conduzem até ao Pai. Pai que acolhe e faz a festa sempre que volto a casa de coração limpo de teias de aranha que, sem “amarrar”, tolhem e limitam tanto os gestos como os pensamentos. Ideias que param de fluir e crescer no sentido de deixar-se invadir pelo Amor que irradia e aconchega.
E acredito!
Credo!
Credo!
Credo!
Com que espírito é que chegas?
Tu, ser pessoal que e tens e continuas a fazer história.
Tu que te recusas a ficar estático à espera da resposta que muitas vezes nem chega a acontecer.
Tu e o teu movimento contínuo que desmonta esquemas pré-definidos por homens que só te querem ver de dedo esticado e acusador a amedrontar e a dizer de forma constante: pecadora! pecadora! pecadora! e a palavra vai-se repetindo e perdendo, qual eco que limita e se limita.
Vem Espírito de Deus e cai sobre mim…
Prometo-te que me deixo abrir aos teus encantos e à alegria de ser mudada, porque quero mudar.
E a vida vai acontecendo!
E vai acontecendo porque Tu crias.
Crias o alimento.
Crias a bebida.
Crias a cura.
Tu, que muitas vezes pareces distraído, vais acontecendo e fazes acontecer.
Tu. Espírito de verdade e da verdade que estás em união fraterna comigo própria.
E vai crescendo a vida que se faz, que se sente e que emana de modo a gerar mais vida, mais alegria, mais vontade.
Vem Espírito de Deus…
E neste constante devir de um Pai que também é Mãe, temos a atenção e as preocupações de mãe, temos Jesus.
Homem com necessidades semelhantes às minhas.
Homem que caminha sem cessar pois tem pressa de dizer que foi o Pai que o escolheu e não o pode defraudar.
Jesus, filho pródigo, que disputou tudo com o Pai e, mesmo assim, voltou a ser acolhido e recolhido por Ele no meio da festa do reencontro que é o perdão.
Perdão vs renascimento
Perdão festa da festa, festa da vida com sentido, festa do nascer de novo.
E chega o Espírito que pelo Pai e pelo Filho se diz a si mesmo.
Jesus, profeta do acolhimento é usado também para dizer e diz-se a si próprio.
Então, o Deus uno que se conduz ao jeito de Jesus, é Pai e conduz Jesus ao seu jeito.
E chega o Espírito que vai crescendo e rodopiando como o vento que é a vida que flui do Pai e do Filho e sopra quando quer e onde quer.
E temos uma família de três pessoas unas e indivisíveis: PAI, FILHO e ESPÍRITO que é santo.
E chegas como um Tu que nos permite vislumbrar o “rosto” do Pai.
A relação vai crescendo e acontecendo numa liberdade concedida e vivida na plenitude deste Espírito que faz e deixa fazer, que se manifesta pela boca daqueles que recusam permanecer calados perante a injustiça que os rodeia, que age e liberta, que sopra onde menos se espera.
Creio!
Creio!
Creio!
… na igreja, nos baptizados, nos que anseiam ser baptizados, naqueles que vivem em conformidade com a vida daquele Jesus que se entregou para trazer a esperança da vida de glória, onde o Pai, que conhece o nosso nome, se dá e acolhe estendendo o seu regaço de amor e bondade.
O baptismo que engole tudo o que é velho, tudo o que é contrário à lei mais pura dos evangelhos, o baptismo que ajuda a emergir o re-suscitado, o homem novo, o homem limpo e remoçado por este amor de alegria e de esperança.
E assim, o Reino acontece e vai acontecendo sempre que um irmão se aproxima e diz que quer mergulhar na água uterina da vida que lava e deixa acontecer vida.
19/10/2010
Este…
Esse…
Isto…
Estas coisas…
Tudo tem a ver com a mesma pessoa.
Aquela que foi mal vista, mal entendida e… por que não… mal amada.
Ele que não era, mas passou a ser.
E foi o primeiro, porque fez a ponte entre o antes e o depois.
E quando veio fez tudo ao contrário do que seria esperado para um messias. O Messias devia corporizar um profeta que preconizasse a libertação, não a das entranhas, do eu, mas a libertação física de um povo do jugo do outro.
Romanos, invasores, conquistadores vs israelitas submetidos ao sabor de novos senhores que paulatinamente começam a impor as suas regras, a sua cultura, os seus deuses. Estes deuses que corporizam esperanças, medos e sofrimentos que são sempre vistos como castigo.
E, qual era o deus dos judeus?
Um deus distraído, castigador e vigilante, de modo a apanhar em falta os mais incautos.
Pelo contrário, o Deus de Yeshu é um Deus presente, pai e mãe, sempre disponível para afagar e perdoar. O Deus da Verdade e do Amor.
O Deus de Yeshu é um Deus atento que o ungiu e o escolheu para que, sendo um de nós, vivesse, sentisse e saboreasse a verdade e o sentido de toda a nossa história humana que se redimensionou na festa Pascal.
Como eu comecei a viver e a sentir as coisas!
A festa Pascal que possibilita a entrada numa nova dimensão e aprender o verdadeiro nome. O nome por que Ele me chamou desde o início dos tempos. O nome da verdade e do sabor deliciado deste Pai que tem sempre disponível o colo de Mãe.
Mas… voltando a Yeshu, o ungido, o escolhido, o eleito.
E foi “crescendo” em sabedoria e graça. A construção de um homem faz-se dia após dia e, à medida que se vai aproximando do dia da glória, vai-se tornando mais sábio e mais bonito. A sabedoria da vida vivida e a raça da vida plena.
À medida que vou desenrolando esta reflexão, vou sentindo alguma angústia pelo sentimento que a ausência vai causando e a alegria de uma nova dimensão mais plena que se vai aproximando.
E vão chegando as esperanças messiânicas e todas as outras esperanças!
As esperanças que se tornam vida, pois fizeram passar do medo à confiança, da incerteza à certeza, da tristeza à alegria, da morte à vida.
Então… quem é este Yeshu que corporizou a esperança?
E deixou de ser pertença de alguns, passando a pertencer a todos.
A esperança de Yeshu é fecundante, assumindo em si a vida de todos.
É uma esperança que toca e se faz vida.
Esta é a nova esperança, a do presente que não esquece o passado e que se torna futuro.
E faz a ruptura com um todo apocalíptico que se vai esboroando como terra ressequida que perdeu a ligação entre si.
Yeshu mostra-nos a esperança do “toque” do Pai, corporizando-se nela, porque ela é vida.
Também ele teve um nascimento impossível. Não, não foi de uma estéril e velha mulher, mas de uma jovem que se tornou o “resto fiel” porque acreditou.
Yeshu, o Homem, é também o profeta, pois é um presente amoroso de Deus que o chamou de novo à vida, como prémio de uma vida com sentido.
Yeshu, o Homem da esperança, porque ele próprio a corporizava.
Por Yeshu, Deus vem para morar e permanecer na memória agradecida da nossa fé. Deus veio com Yeshu e permanece “agarrado” a Ele, pois é a promessa da felicidade e, como tal, passa a fazer parte de nós.
Deus e eu.
Deus comigo.
Deus em mim…
… e isto é válido para todos os que escolheram viver a vida com Yeshu, o visitado por Deus!
Esse…
Isto…
Estas coisas…
Tudo tem a ver com a mesma pessoa.
Aquela que foi mal vista, mal entendida e… por que não… mal amada.
Ele que não era, mas passou a ser.
E foi o primeiro, porque fez a ponte entre o antes e o depois.
E quando veio fez tudo ao contrário do que seria esperado para um messias. O Messias devia corporizar um profeta que preconizasse a libertação, não a das entranhas, do eu, mas a libertação física de um povo do jugo do outro.
Romanos, invasores, conquistadores vs israelitas submetidos ao sabor de novos senhores que paulatinamente começam a impor as suas regras, a sua cultura, os seus deuses. Estes deuses que corporizam esperanças, medos e sofrimentos que são sempre vistos como castigo.
E, qual era o deus dos judeus?
Um deus distraído, castigador e vigilante, de modo a apanhar em falta os mais incautos.
Pelo contrário, o Deus de Yeshu é um Deus presente, pai e mãe, sempre disponível para afagar e perdoar. O Deus da Verdade e do Amor.
O Deus de Yeshu é um Deus atento que o ungiu e o escolheu para que, sendo um de nós, vivesse, sentisse e saboreasse a verdade e o sentido de toda a nossa história humana que se redimensionou na festa Pascal.
Como eu comecei a viver e a sentir as coisas!
A festa Pascal que possibilita a entrada numa nova dimensão e aprender o verdadeiro nome. O nome por que Ele me chamou desde o início dos tempos. O nome da verdade e do sabor deliciado deste Pai que tem sempre disponível o colo de Mãe.
Mas… voltando a Yeshu, o ungido, o escolhido, o eleito.
E foi “crescendo” em sabedoria e graça. A construção de um homem faz-se dia após dia e, à medida que se vai aproximando do dia da glória, vai-se tornando mais sábio e mais bonito. A sabedoria da vida vivida e a raça da vida plena.
À medida que vou desenrolando esta reflexão, vou sentindo alguma angústia pelo sentimento que a ausência vai causando e a alegria de uma nova dimensão mais plena que se vai aproximando.
E vão chegando as esperanças messiânicas e todas as outras esperanças!
As esperanças que se tornam vida, pois fizeram passar do medo à confiança, da incerteza à certeza, da tristeza à alegria, da morte à vida.
Então… quem é este Yeshu que corporizou a esperança?
E deixou de ser pertença de alguns, passando a pertencer a todos.
A esperança de Yeshu é fecundante, assumindo em si a vida de todos.
É uma esperança que toca e se faz vida.
Esta é a nova esperança, a do presente que não esquece o passado e que se torna futuro.
E faz a ruptura com um todo apocalíptico que se vai esboroando como terra ressequida que perdeu a ligação entre si.
Yeshu mostra-nos a esperança do “toque” do Pai, corporizando-se nela, porque ela é vida.
Também ele teve um nascimento impossível. Não, não foi de uma estéril e velha mulher, mas de uma jovem que se tornou o “resto fiel” porque acreditou.
Yeshu, o Homem, é também o profeta, pois é um presente amoroso de Deus que o chamou de novo à vida, como prémio de uma vida com sentido.
Yeshu, o Homem da esperança, porque ele próprio a corporizava.
Por Yeshu, Deus vem para morar e permanecer na memória agradecida da nossa fé. Deus veio com Yeshu e permanece “agarrado” a Ele, pois é a promessa da felicidade e, como tal, passa a fazer parte de nós.
Deus e eu.
Deus comigo.
Deus em mim…
… e isto é válido para todos os que escolheram viver a vida com Yeshu, o visitado por Deus!
11/10/2010
Será que entendi?
Será que entendi?
Eu sei que é uma pergunta retórica!
Mas… será que entendi?
O futuro já aconteceu há dois mil anos?
Um Homem, apenas um, superou naquele momento todo o tempo passado e todo o tempo futuro?
Ele, o maldito, o que não era boa pessoa, o que incomodava e não vivia nem agia segundo os cânones civilizacionais da sua cultura e da sua época?
Mas… será que entendi?
Eu, que me deixei envolver por uma “teologia de espera”. A espera do final dos tempos que afinal já aconteceram.
O tempo que é passado e que é futuro e que já foi?
O tempo que deixou de ser Kronos e se tornou Kairos.
O tempo que é um constante devir e nós temos que fazer a nossa parte, que também dói!
Mas…, está tudo feito!
Foi tudo assumido naquele dia à tarde.
O dia do “fim do mundo”
Os dia em que até os “céus” se apagaram.
Será que foi feita justiça?
Não terá sido esse dia o culminar de uma vida com sentido mal compreendida?
Por que motivo é que a “sociedade” impõe regras?
Não são para serem postas em causa?
E ao terceiro dia fez-se vida, isto é, venceu os seus medos, as suas tentações, os seus pecados e venceu-os também por mim.
A cruz vs vida.
Vida re-suscitada.
Quem saiu a ganhar de todo este processo fui eu mesma. Também eu re-suscitei para me deixar encantar e passar a vicer para Ele.
E comecei a sentir-me exposta, pois a minha história transformou-se e transformou-me.
A vida ganhou outro sentido. Novo e diferente do que tinha sido até então.
Eu sei que é uma pergunta retórica!
Mas… será que entendi?
O futuro já aconteceu há dois mil anos?
Um Homem, apenas um, superou naquele momento todo o tempo passado e todo o tempo futuro?
Ele, o maldito, o que não era boa pessoa, o que incomodava e não vivia nem agia segundo os cânones civilizacionais da sua cultura e da sua época?
Mas… será que entendi?
Eu, que me deixei envolver por uma “teologia de espera”. A espera do final dos tempos que afinal já aconteceram.
O tempo que é passado e que é futuro e que já foi?
O tempo que deixou de ser Kronos e se tornou Kairos.
O tempo que é um constante devir e nós temos que fazer a nossa parte, que também dói!
Mas…, está tudo feito!
Foi tudo assumido naquele dia à tarde.
O dia do “fim do mundo”
Os dia em que até os “céus” se apagaram.
Será que foi feita justiça?
Não terá sido esse dia o culminar de uma vida com sentido mal compreendida?
Por que motivo é que a “sociedade” impõe regras?
Não são para serem postas em causa?
E ao terceiro dia fez-se vida, isto é, venceu os seus medos, as suas tentações, os seus pecados e venceu-os também por mim.
A cruz vs vida.
Vida re-suscitada.
Quem saiu a ganhar de todo este processo fui eu mesma. Também eu re-suscitei para me deixar encantar e passar a vicer para Ele.
E comecei a sentir-me exposta, pois a minha história transformou-se e transformou-me.
A vida ganhou outro sentido. Novo e diferente do que tinha sido até então.
05/10/2010
Regresso
Muitos dias depois quero retornar e voltar a escrever.
O silêncio foi sentido e consentido. Houve necessidade de arrumar as ideias e fazer uma paragem sabática.
Foram dias de solidão e introspecção em que o arar da terra tem sido cansativo e até, por que não, doloroso.
Na escola, quando não brinco, o trabalho e as canseiras adensam-se. Continuo como coordenadora de departamento. Este cargo tem que me manter atenta e desperta para atalhar em todos os campos. As reuniões desdobram-se… Conselho Pedagógico, CCAD (Comissão para a Coordenação de Desempenho), departamento, grupo e equipas de trabalho. A anterior ministra de educação “pensou” que os cargos devem pertencer aos professores mais velhos e com mais anos na carreira, porque têm mais experiência e…, são estes, que têm menos horas lectivas por causa da idade, que devem ocupar horas que não estão incluídas no horário em longas reuniões, de modo a que a escola funcione e que uns dêem mais a cara que os outros.
É verdade que a equipa directiva é excelente e, vaidade à parte, como peão intermédio eu seja um da engrenagem. Quando me foi feito o convite para coordenar o departamento, foi-me dito que a equipa tinha que ser de confiança e eu merecia essa confiança. Já sabia o que me esperava: reuniões que duram longas horas, mediadora de conflitos, responsável pela avaliação de docentes de todo o departamento, porta-voz de um dos órgãos mais importantes da escola para um departamento heterogéneo e que congrega em si seis/oito áreas disciplinares diferentes, a saber: História, História e Geografia de Portugal, Geografia, Filosofia, Economia (Contabilidade) e EMR (Católica e Evangélica).
Ao fim do dia o cansaço instalou-se.
Ele é uma das causas do meu silêncio!
Mas… não é o único culpado. Se no regresso a casa as coisas propiciassem o merecido descanso, tudo seria bom.
O fim do dia também tem sido difícil, pois chegam as queixas e os queixumes e a atenção tem que se manter desperta para tudo isso.
Uma coisa é certa! Não me deixei entrar em depressão, mas deixei-me apoderar de um cansaço e desinteresse que doem. Fecho-me na minha concha e, aí, só entra quem eu permito ou quero mesmo que entre. E dentro do meu “castelo”, cego para o exterior, construo o meu eu em relação directa com um Deus que me ouve, me entende, me aceita como sou, me dá colo e me amima.
Tem-se mantido sempre disponível.
Não posso, contudo, esquecer os que também estão sempre presentes e me amimam. Aqueles que, através de uma “certa” comunidade de “gente linda”, me mantêm desperta e com vontade de lutar e vencer a inércia que teima em instalar-se.
Comunidade de companheiros sempre presentes que, quando não pode ser pessoalmente, se tornam presentes através da circulação de mensagens que manifestam o amor e a alegria de sermos um todo em Igreja que se move e que cresce de dentro para fora. Aqui vive-se e sente-se a presença amorosa de um Deus que se fez um entre nós e nos deixou um legado de Vida e Esperança.
O silêncio foi sentido e consentido. Houve necessidade de arrumar as ideias e fazer uma paragem sabática.
Foram dias de solidão e introspecção em que o arar da terra tem sido cansativo e até, por que não, doloroso.
Na escola, quando não brinco, o trabalho e as canseiras adensam-se. Continuo como coordenadora de departamento. Este cargo tem que me manter atenta e desperta para atalhar em todos os campos. As reuniões desdobram-se… Conselho Pedagógico, CCAD (Comissão para a Coordenação de Desempenho), departamento, grupo e equipas de trabalho. A anterior ministra de educação “pensou” que os cargos devem pertencer aos professores mais velhos e com mais anos na carreira, porque têm mais experiência e…, são estes, que têm menos horas lectivas por causa da idade, que devem ocupar horas que não estão incluídas no horário em longas reuniões, de modo a que a escola funcione e que uns dêem mais a cara que os outros.
É verdade que a equipa directiva é excelente e, vaidade à parte, como peão intermédio eu seja um da engrenagem. Quando me foi feito o convite para coordenar o departamento, foi-me dito que a equipa tinha que ser de confiança e eu merecia essa confiança. Já sabia o que me esperava: reuniões que duram longas horas, mediadora de conflitos, responsável pela avaliação de docentes de todo o departamento, porta-voz de um dos órgãos mais importantes da escola para um departamento heterogéneo e que congrega em si seis/oito áreas disciplinares diferentes, a saber: História, História e Geografia de Portugal, Geografia, Filosofia, Economia (Contabilidade) e EMR (Católica e Evangélica).
Ao fim do dia o cansaço instalou-se.
Ele é uma das causas do meu silêncio!
Mas… não é o único culpado. Se no regresso a casa as coisas propiciassem o merecido descanso, tudo seria bom.
O fim do dia também tem sido difícil, pois chegam as queixas e os queixumes e a atenção tem que se manter desperta para tudo isso.
Uma coisa é certa! Não me deixei entrar em depressão, mas deixei-me apoderar de um cansaço e desinteresse que doem. Fecho-me na minha concha e, aí, só entra quem eu permito ou quero mesmo que entre. E dentro do meu “castelo”, cego para o exterior, construo o meu eu em relação directa com um Deus que me ouve, me entende, me aceita como sou, me dá colo e me amima.
Tem-se mantido sempre disponível.
Não posso, contudo, esquecer os que também estão sempre presentes e me amimam. Aqueles que, através de uma “certa” comunidade de “gente linda”, me mantêm desperta e com vontade de lutar e vencer a inércia que teima em instalar-se.
Comunidade de companheiros sempre presentes que, quando não pode ser pessoalmente, se tornam presentes através da circulação de mensagens que manifestam o amor e a alegria de sermos um todo em Igreja que se move e que cresce de dentro para fora. Aqui vive-se e sente-se a presença amorosa de um Deus que se fez um entre nós e nos deixou um legado de Vida e Esperança.
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