27/06/2007

O que havia a fazer foi feito.

Às vezes dou comigo a perguntar: porquê?


Andava a adiar a visita!
Desde Dezembro que as coisas me bailavam cá dentro, até sonhava...
É uma grande amiga, mas muito sofrida.
A ela devo a regularização da minha vida profissional.
Depois de muitos anos de ensino num estabelecimento privado, resolvi dar o salto e enveredar pelo ensino público.
É verdade que só então as coisas se compuseram e eu adquiri condições para isso.
Dava aulas ao primeiro ciclo.
Quando tive que escolher e decidir o futuro, apenas duas vias, sempre no ensino, me seduziam: ser Educadora de Infância ou professora de História.
Não consegui, por motivos que agora não interessam, ser nem uma coisa nem outra.
Dediquei vinte e três anos ao ensino básico, primeiro ciclo.
Depois de muito espicaçada, por uma inspectora, regressei aos bancos da escola e licenciei-me, com estágio e tudo, em História. Fiz o curso certinho e, a trabalhar, a cuidar do filho e do marido, nunca deixei nenhuma cadeira para trás.
Finalmente consegui abraçar uma das minhas paixões e fazer algo de que realmente gosto.
Ainda continuei no colégio por mais um ano, mas logo a seguir, concorri e entrei no sistema como professora contratada.

Conheci esta amiga no meu segundo ano de contratada, quando fui colocada numa escola a mais de cinquenta quilómetros de casa.
Ia e voltava todos os dias, pois a distância não é significativa.
Ela também é professora de História. Também leccionou no ensino privado. Só que ao contrário de mim, deu sempre a disciplina que para muitos é tão maldita como a Matemática.
Na altura dos concursos e prevendo-se que iríamos continuar como contratadas, obrigou-me, é verdade que me obrigou, a concorrer para a Madeira. Como eu hesitasse, já tinha martirizado a família durante o tempo do curso e, sobretudo, do estágio, preencheu os papéis e obrigou-me a assinar. Para ter a certeza que os papéis do concurso seguiam, foi ela entregá-los.
Construímos uma grande amizade, carregada de ternura e muita cumplicidade.
Ficamos bem colocadas. Ela tinha o número um e eu o número dois. Havia hipótese. E eu tremia, pois não tinha dito nada em casa. Estava a correr um grande risco...
Foi até à Madeira e falou com a pessoa certa.
Ficou decidido: Santana, para ela; Porto do Moniz, para mim.
Tentei não ir. Andava nervosa e chorava por tudo o que era canto.
Fui à DREN.
Escrevi para a Madeira.
Tens que ir.
Ela não foi.
Conseguiu o destacamento.
Como doente oncológica ficou numa escola bem perto de casa.
Já tinha sido operada duas vezes e feito várias sessões de quimioterapia e radioterapia.

A experiência da Madeira foi bastante positiva. Passei lá um ano no meio do imenso verde da laurissilva. Percorri, a pé, algumas levadas. Construí algumas amizades.
Já tenho saudades, mas não sei quando poderei lá voltar. As coisas agora estão difíceis...

Voltando à minha amiga.
Só leccionou esse ano e o seguinte. Depois, reformou-se.
Entretanto voltou a ser operada.
Desta vez foi em Paris, cá já não arriscavam mais.
Voltou à quimioterapia e passou a deslocar-se regularmente a Madrid para prosseguir o tratamento e a vigilância.
A partir de Dezembro, as coisas entraram num caminho sem retorno.
Quando lá cheguei, reconheceu-me, o que já não acontece muitas vezes.
Estava cansada e à minha espera!
Presentes estavam o marido e um dos filhos.
Brinquei, fiz-lhe muitos mimos e dei-lhe muitos beijos.
A visita apenas durou cinco minutos.
Foram cino minutos cheios e muito intensos.

Quando saí, pude conversar com o marido e o filho.
Fiz muitas perguntas e ele disse-me:
O que havia a fazer foi feito.
Agora não há mais nada a fazer.
Expliquei-lhe a situação cá de casa que também não está fácil e assumi o compromisso de estar mais presente durante este período que se aproxima.
Quando cheguei ao carro deixei abrir as torneiras e chorei intensamente.

Fui à igreja e coloquei-a, mais uma vez e de forma mais veemente, sobre o altar.
Como já tem dificuldade em se movimentar, ajudei-a a subir para melhor O sentir e O abraçar...


14 comentários:

Anónimo disse...

Andante, as tuas amigas minhas amigas são. Vou guardá-la no meu peito também e rezarei igualmente.
Hoje estou deprimida e então vim para o computador, abri a internet e sabe-sa lá como, fui parar a um blog que é "Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu".( Para perceberes vais ter de dar uma olhadela). Substituí algumas fotos dos ditos pela minha foto e tudo se enquadrava na perfeição. Gostaria de dizer que o amor de Deus me basta mas não estaria a ser verdadeira. A nossa carne é tão fraca...preciso de beijos e abraços de carne e osso. Não fiques preocupada comigo. Amanhã o sol brilhará, embora turvo pelas lágrimas que ainda nem começaram a secar. Beijo grande
Filó

Anónimo disse...

"Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu" (3).
Beijo

Rui Santiago disse...

Obrigado, MANA, por ti!

SHALOM

Catequista disse...

Em oração contigo, pela tua amiga!

Paulo disse...

Uma historia igual a tantas outras, mas especial num certo sentido...tocou-me.

Catequista disse...

Andante passa pelo meu cantinho, quando puderes. Deixei um desafio para ti.
Beijos

Ver para crer disse...

Situações difíceis.
Mas quem tem fé sabe que isto não é o fim...

Anónimo disse...

Caros amigos,
Salve Maria!

Gostaria de indicar-lhes um novo site católico, o www.defesacatolica.org, e pedir-lhes a gentileza de inclui-lo nos links indicados!

Desde já obrigado!

Monge disse...

Amiga, vai ao meu blog, tenho um desafio para ti! Um abraço de coração.

Maria João disse...

Na próxima sexta-feira, dia 20, realiza-se uma oração de TaiZé pelo Darfur , às 19h45m, na Igreja de S. Nicolau, na Baixa de Lisboa.

Participa e divulga! Se não puderes estar presente, reza na mesma.

bjs em Cristo
Maria João
Fé e Missão (Missionários Combonianos)

Maria João disse...

O Centro Vocacional Juvenil (CVJ) dos Missionários Combonianos, organiza de 24 a 28 de Julho uma caminhada jovem a Fátima de oração com e pelo Darfur.

O drama deste povo está a aumentar. As milícias continuam a desrespeitar os direitos humanos. Rezem pelo Darfur. E estejam atentos às várias acções de ajuda em http://jovensemissao.blogspot.com.

Maria João
Fé e Missão
(Missionários Combonianos)

Anónimo disse...

Todos os dias venho ao teu cantinho mas...andas tão caladita...muito trabalho, não? ou estás numas merecidíssimas férias? Em qualquer dos casos o importante é que estejas com saúde e na paz de Cristo. Beijo
Filó

Lua dos Açores disse...

É o seguinte o texto por mim enviado à Rádio Renascença sobre a possibilidade da transmissão por parte deles das Laudes e Vésperas. Sugiro que quem assim o entender envie o mesmo ou idêntico, o endereço rp at rr.pt

Ex. mos Senhores

Sendo a Liturgia das horas a Oração oficial da Igreja e não havendo qualquer site na internet ou emissora portugueses que as transmitam, os católicos portugueses, leigos, que as queiram orar em Comunidade não tendo possibilidade de recorrer a Mosteiros ou raras paróquias, o fazem na net: radio Esperance http://www.radio-esperance.com/20.0.html#806 ou na Tv http://www.ktotv.com/offices.php3, venho "propor" que num gesto pioneiro em Portugal a RR comece a transmitir de Mosteiros (por exemplo Singeverga ou das Irmâs Clarissas de Monte Real, são apenas exemplos) as Laudes e Vésperas, pelo menos.

Fica a sugestão

Abraços fraternos
Ana Loura

Anónimo disse...

Fazes-me-me tanta falta, amiga...mas fico bem se souber que estás bem. Beijo grande
Filó